Archive for abril, 2009

Uma inovação muito melhor que o Powerpoint?

segunda-feira, abril 27th, 2009

Frequentando o blog do HSM Management encontrei um post com o videozinho o qual certamente provocaria o desbocado e mercurial presidenciável Ciro Gomes a dizer: “Isso sim é ducaralho!”. Mas, antes de entregar o vídeo logo para a platéia ver, vocês vão ter que aturar uma arengazinha introdutória de minha parte. Afinal esse blog é de quem? Cool

 

Uma das minhas maiores frustrações atuais diz respeito à enorme inércia e incapacidade de inovar & mudar nos campos da política e da educação. Claro que não preciso explicar a frustração que sinto em relação à política dos dias de hoje. Isso é óbvio para todos.  Mas creio que eu deva uma ponderação aos meus visitantes nesse blog, esclarecendo porque estendo à educação essa minha frustração com a falta de inovação & mudança.

 

Entendo a educação enquanto uma invenção coletiva humana que tem por objetivo dar qualificação aos indivíduos para que os mesmos melhor enfrentem desafios ao longo de sua existência. Para mim educação é, em última análise, um sistema que visa nos dar mais preparação para que sejamos socialmente produtivos, para nos ajustarmos melhor ao convívio coletivo e para nos fornecer subsídios para que possamos melhor buscar nossa felicidade e auto-realização.

 

Lamentavelmente as maravilhas da Tecnologia da Informação, que fazem com que as empresas e os negócios já comecem a viver a era da Economia do Conhecimento, ainda estão muito longe de aportar nos lugares em que vamos para aprender. Ouso dizer que a educação atual no seu canal de distribuição mais tradicional — que é a sala de aula — está lamentavelmente muito mais próxima dos tempos da palmatória do que contemporânea dos tempos da internet e das ferramentas wireless.

 

Em sua maioria tanto a sociedade como um todo quanto os professores ignoram ou então desprezam as ferramentas colaborativas digitais que poderiam ser usadas de forma revolucionária na educação no desafio de explicar e compartilhar conhecimentos e idéias. O slideshow foi um primeiro e tímido passo que foi dado na virada do século nesse sentido. E é pena que, na verdade, a maioria das pessoas ainda use de forma muito pouco criativa essa ferramenta. Mas já outras inovações desembarcando e que deverão colocar lenha nessa fogueira como o exemplo “ducaralho” que encontrei no tal post referido lá em cima. Trata-se do Prezi .  

 

O Prezi não é um programa que você compra ou baixa. É uma ferramenta que você utiliza online como editor gráfico de apresentação de idéias. Não é só para fazer slides não. Até um determinado limite você pode usar de graça. No caso de se tornar um heavy-user você pode fazer a assinatura. Quem já estiver testando o Prezi me avise. Eu já comecei a fazer minhas experiências. Ah, o vídeo taí:

 

“Tempo de pensar fora da caixa” em pré-venda

quarta-feira, abril 22nd, 2009

Meu novo livro já está sendo noticiado no site da editora 

Cool

 

tempo-de-pensar-fora-da-caixa-pre-venda

 

A disponibilidade nas livrarias é só a partir de maio.

Mas você já pode encontrar em pré-venda on-line. É só seguir o link abaixo:

Search  pré-venda tempo de pensar fora da caixa – Pesquisa Google

Pesquise atentamente pois os preços variam bastante!

 Wink

Na Sociedade Digital Global o objetivo de quem trabalha é se sentir um artista.

quarta-feira, abril 8th, 2009

 

Meu novo livro que vai para as livrarias no dia 15 de abril  se intitula Tempo de Pensar Fora da Caixa – a grande transformação das organizações rumo à economia do conhecimento. Nele eu dou prosseguimento à trilogia iniciada com Novo Mundo Digital, discutindo e analisando a transição, brutal e dramática, que a humanidade está realizando, deixando para trás a economia pós-industrial e entrando na Sociedade Digital Global.

 

Meu novo livro – que pode ser lido independentemente do primeiro — versa sobre as organizações que entendem que encarar o desafio da inovação e mudança passa a ser estratégico e permanente. Nesse contexto o talento criativo passa a ser o mais importante dos recursos a buscar. Muito mais do que capital, do que recursos naturais e infraestrutura e posição de poder.

 

Talento criativo é “o bicho” a ser buscado e  capturado pelos headhunters, pelos RHs, pelo conselho de administração. Empresas cheias de bons e diligentes funcionários, mas onde os criativos e iconoclastas não são bem-vindos, preparem-se para a decadência e irrelevância.

 

Mesmo no setor governamental, mais cedo ou mais tarde, nós, enquanto cidadãos e contribuintes, vamos descobrir que temos que buscar talentos criativos para a política também. Barack Obama já é uma amostra dessa busca pelo talento criativo na política que os americanos estão realizando.

 

Inovação tem muito mais a ver com criatividade e arte que podem gerar diferencial competitivo do que com lançamento de produtos inovadores. Talentos criativos são capazes de surpreender e criar muito mais que meros produtos e novos serviços.  Como lembra a sisuda revista Economist: “não há vantagem em ser dogmático. A natureza do talento mais indicado varia de empresa para empresa: pode ser, por exemplo, a habilidade em contar algumas piadas enquanto se vira um avião em 25 minutos como demonstrado pela Southwest Airlines.

 

“Virar uma avião” é uma operação crucial no setor de aviação. É uma operação onde a eficiência equivale a matar ou morrer em termos competitivos. Virar um avião é o tempo que transcorre entre a aterrissagem, o desembarque, limpeza e manutenção, embarque e decolagem. Avião no solo é só custo. Avião no ar é que gera riqueza. Daí ser crucial “virar o avião” em um tempo muito pequeno.

 

A Southwest Airlines é considerada a mais produtiva e rentável das empresas aéreas, e que consegue ainda manter alto padrão de qualidade de operação. Um dos seus feitos operacionais considerados caso mundial, recordista na capacidade virar uma avião em menos de 25 minutos. Por outro lado, para manter o bom humor, tanto da tripulação quanto dos passageiros, em condição de timing crítico, a Southwest conseguiu criar uma cultura de bom humor de seus capitães e comissários de bordo, no qual as piadas, galhofas e brincadeiras positivas são bem conhecidas no setor de aviação civil. Esse bom humor dos funcionários tornou-se parte da marca corporativa da Southwest e é um dos grandes diferenciais da empresa.

 

Um bom exemplo é o vídeo acima que traz um comissário da Southwest inovando ao dar o recado de segurança de acordo com suas habilidades especiais. (Claro que existem os ranzinzas que odeiam coisas assim. Mas deixemos os ranzinza de lado. Ranzinzice nunca fez nada de bom pela vida nem pela humanidade!)

Clown

O homem certo na hora errada?

terça-feira, abril 7th, 2009

obama_g20

 

Uma das melhores coisas na mídia é achar colunistas que conseguem filtrar e analisar os fatos e antecipar cenários. Encontrar quem faça isso com excelência é um desafio maior ainda. São pouquíssimos. No geral os colunistas estão no negócio de registrar fatos ou então no negócio de expressar opinião. Pior ainda é quando muitas vezes essa opinião é pura média com os leitores e com a opinião pública de forma geral. São aqueles colunistas tipo zorro, que adoram posar de defensores dos fracos e esprimidos.

 A coluna de hoje de Gideon Rachman no Financial Times é um exemplo positivo desse tipo de colunismo analítico que admiro e que faz uma grande falta. Ele analisa o primeiro grande tour de Barack Obama fora dos EUA, o qual teve seu momento mais conspícuo para a opinião pública mundial durante a reunião do G20, ocorrido em Londres na semana passada.

 Rachman relembra com propriedade que Obama está sendo defrontado com uma monumental carga de problemas herdados da administração Bush. Essa é a verdadeira “herança maldita”. A tal ponto que o jornal satírico norte-americano The Onion alfinetou quando Obama foi eleito que “o pior emprego da América estava sendo dado para um negro”.

 O x da questão é: será que a liderança de Obama conseguirá mobilizar e criar um senso de urgência planetário de mudanças drásticas e radicais que todo mundo vai ter que encarar como necessárias nesse momento?

 As pessoas não podem se enganar achando que Barack é capaz de andar sobre as águas e que seu charme e inteligência vão equacionar o embroglio em que nos metemos. Não é apenas uma crise econômica.  É uma brutal e dramática transição. Um tempo que exige respostas inovadoras de todos. Inovações e mudanças profundas terão que ser feitas nos nossos estilos de vida, em nossas economias, tanto do ponto de vista de vista da produção quanto do consumo, em nossas empresas, nas políticas públicas e nas agendas de governo.

 Um cenário que pode ficar claro em alguns meses é que, dados os desafios agora e à frente, Obama, mesmo apesar de sua competência, de sua inteligência e de seu indiscutível charme, pode ser, como aponta apropriadamente Rachman, o homem certo no tempo errado. A coluna em questão você pode ler na íntegra clicando aqui.

www.democracia.com

sábado, abril 4th, 2009

fast-company-hughesPara não desanimar é bom às vezes ter uma perspectiva histórica: mesmo com todos os demagogos, oportunistas, os ineptos, os corruptos que chegam ao poder pelo voto da maioria, é sempre bom lembrar que “a democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros”, como muito bem sintetizou Winston Chuchill.

 O importante é compreender que democracia de massas é uma instituição muito recente na história da humanidade. É um processo no qual estamos ainda dando os primeiros passos e que é muito melhor que o poder político estabelecido com base no direito do mais forte, do direito divino e do direito pelo nascimento.

 O voto universal tem menos de cem anos mesmo em países onde a democracia é mais enraizada e amadurecida. A universalização do direito de votar trouxe um problema que foi a inclusão de pessoas despreparadas para pensar a complexidade da escolha dos líderes políticos, escolha essa que sempre foi feita em círculo restrito.

 Foi com a imprensa escrita em primeiro lugar, depois com o rádio e depois dos anos 50 com o advento da televisão foi que conseguimos ferramentas de universalização do debate no jogo da política. Mas essas ferramentas, ainda assim, tinham a maior parte das pessoas na conta de assistentes passivos.

 Em minha opinião, a eleição de Barack Obama foi um marco na incorporação de uma nova ferramenta revolucionária, que marca o tempo da transição para a Sociedade Digital Global também para o jogo da política e da democracia: a internet e as redes sociais digitais.  Infelizmente a imprensa, a academia e mesmo os líderes políticos escrutinaram superficialmente esse advento.

 A matéria de capa da revista Fast Company traz uma matéria bacana sobre isso focando Chris Hughes, um carinha de bebê de 25 anos, que saiu do Facebook para se tornar o ” internet man” de Barack. Foi ele quem projetou, implementou e coordenou a agitação do portal MYBO, a rede social que juntou 2 milhões de pessoas com perfis registrados no site, possibilitou a articulação de 200 mil eventos off-line, a formação de 35 mil grupos, a postagem de 400 mil blogs e a captação de US$30 milhões entre 70 mil voluntários.

 Vale a pena ler a matéria completa clicando aqui.  Quer conhecer um pouco o mybo? Veja o vídeo abaixo.

 

Economist aproveita o G-20 em Londres para lançar parque temático

sexta-feira, abril 3rd, 2009

econoland

Eu pensei que fosse ainda piada de primeiro de abril. Mas é verdade. O grupo que produz a revista The Economist vai abrir um parque temático sobre economia em Londres. Achei que fosse alguma sacanagem relacionada com a presença dos líderes do G-20. Mas, como dizia Orson Wells, it is all true!

 

A revista é uma das minhas favoritas. Isso eu confesso! Mas todos temos algum vício sórdido que procuramos ocultar, não é mesmo? Na verdade, devo admitir, ler seguidamente por algumas semanas The Economist te traz a sensação de que a mesma parece ter sido escrita, de cabo a rabo, por uma única pessoa. Existe algo pior, no entanto. Apesar de toda sua credibilidade e seriedade, The Economist acaba sendo altamente previsível. A tal ponto previsível que a gente começa a ser capaz de antecipar quais serão as pautas e como serão desenvolvidas as matérias, parágrafo por parágrafo. Mas, afinal de contas, The Economist faz parte do panorama cultural de um país que ainda tem monarquia no século XXI.

 

Mas é isso mesmo. A revista anuncia na edição que vai às bancas amanhã em Londres que “como parte de uma estratégia desenhada para ampliar o faturamento e para alavancar o conteúdo sobre uma nova plataforma e para promover a marca The Economist para uma audiência jovem e dinâmica, o grupo Economist orgulhosamente anuncia o desenvolvimento de um parque de diversões que combina a magia de um parque temático com a excitação da macroeconomia”.

 

Parece que o fiasco dos economistas e da “dismal science” – a ciência melancólica – em prever e lidar com a avassaladora crise iniciada em 2008, e que já é considerada muito mais profunda e extensa que a de 1929/30, equivale a muitas pancadas na cabeça e no ego dessa rapaziada. Os economistas ser tornaram depois da II Guerra uma espécie de sumo-sacerdotes da humanidade; sacerdotes esses que recitam incansavelmente um mantra no ouvido de políticos de todos os matizes ideológicos: “it is the economy, stupidy”. Agora, perdidos como cego em tiroteio, parecem dispostos a inovar. Vejam vocês, foram beber água na tina dos marqueteiros e resolveram se tornar inovadores e empreendedores.

 

Essa Econoland me faz lembrar uma jóia de expressão dos longínquos anos 70: “desbunde”. Isso é o que dá quando juntam-se grandes crises: a crise dos economistas com a crise dos negócios de mídia – que é o negócio do grupo Economist, e que são negócios desesperados com a imprevisibilidade dos tempos digitais. Vai ver os caras desbundaram. Ou então resolveram tomar “tenência na vida” e considerar que é hora de encarar o desafio de criar valor econômico e contradizer aquilo que John Kenneth Galbraith falava que: “a economia é muito útil como forma de criar empregos para os economistas”.

 

A propósito, sabe quem é um dos investidores no Econoland? O governo inglês. Eu já vi essa história várias vezes: em projetos de parque temático, quem traz o projeto sai fora com seu ganho e o investidor – muitas vezes um fundo de pensão – em geral acaba com um mico…

 

Leia a matéria do Economist clicando aqui . Veja a simulação lá deles e tente se imaginar se divertindo em Econoland, Eek! um parque temático onde crianças serão proibidas de entrar.

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