A expressão “renascença nuclear” é o mantra favorito dos grupos lobistas da energia nuclear , quando se fala em alternativas aos combustívies fósseis que são os vilões da mudança climática.
Nada contra atividades de lobby. Desde que sejam feitas dentro da lei, fazem parte legítima de uma sociedade aberta e democrática, onde a imprensa é livre e onde o direito de expressão é sagrado. As empresas do setor nuclear têm todo o direito de propor essa opção.
Mas todos os outros setores da sociedade, empresas e movimentos sociais podem alinhar seus argumentos favoráveis e contrários. Os argumentos contrários me soam muito mais fortes.
De um lado existem os argumentos de ambientalistas, cientistas ou de cidadãos críticos da opção nuclear por causa dos riscos ambientais que essa representa para a vida no planeta. Principalmente pela questão do lixo radioativo: uma herança maldita que deixamos ainda por milhares de anos para outras gerações que vão vir após a nossa. Por mais dinheiro que seja investido, não existe alternativa risco zero para o lixo tóxico que resulta da operação das usinas.
De outro lado existem as questões de natureza econômica da opção nuclear enquanto empreendimento, seja público ou privado. Em primeiro lugar vem o tal do payback, isto é, o retorno do investimento, o qual nunca fechou até hoje sem um significativo subsídio governamental.
Os investidores sabem disso como ninguém. O melhor exemplo é o relatório de analistas do Citi no Reino Unido (RU), que conclui que, mesmo com todo o apoio oficial do governo Brown, que deu luz verde para que sejam abertas dez novas centrais nucleares no RU, o negócio é de altíssimo risco. Leia trecho do próprio relatório e forme sua opinião:
O relatório na íntegra você pode ler clicando aqui.